{"id":156,"date":"2020-05-29T17:55:27","date_gmt":"2020-05-29T20:55:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/?p=156"},"modified":"2020-05-29T17:55:29","modified_gmt":"2020-05-29T20:55:29","slug":"o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/2020\/05\/29\/o-amor\/","title":{"rendered":"O AMOR"},"content":{"rendered":"\n<p>Em psican\u00e1lise, o amor cont\u00e9m um conceito diferente da paix\u00e3o e do estar namorando, o amor est\u00e1 fortemente ligado a libido e o desejo. Segundo Freud (1906\/1907), o processo de cura psicanal\u00edtica \u00e9 realizado atrav\u00e9s do amor, pelo motivo de ele conter todos os componentes do instinto sexual. Os sintomas que provocam o sujeito a uma procura de um tratamento psicanal\u00edtico \u00e9 o amor reprimido, e o trabalho do analista ser\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o desse amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Freud (1914\/1996), cita: \u201cdevemos amar para n\u00e3o adoecer\u201d. O sujeito aprende a amar o outro para que assim ele possa n\u00e3o se sentir desamparado. Na inf\u00e2ncia entende-se que esse desamparo \u00e9 uma forma de prote\u00e7\u00e3o que a crian\u00e7a sente quando \u00e9 amparada pelas pessoas que acercam. (KUSS, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a aprende a amar as pessoas que as protegem e satisfazem as suas necessidades. A forma que a crian\u00e7a ama as pessoas que est\u00e3o no seu conv\u00edvio durante o desenvolvimento, ser\u00e1 relacionada a forma que ela vai amar durante a sua fase adulta, a qual ocasiona numa busca constante pelo objeto perdido. A perca desse objeto, inscreve h\u00e1 marca da falta para o ser humano. (kuss, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia desse objeto que se diz como perdido, ele nunca existiu, por isso que n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado. O desejo se desliza de objeto em objeto. Observa-se essa busca a procura constante do sujeito num grande outro que ir\u00e1 amar e o completar.<\/p>\n\n\n\n<p>Freud (1905\/1906), o encontro do objeto \u00e9 um reencontro. Esse objeto que est\u00e1 como perdido tem rela\u00e7\u00e3o com o desmame. Quando o sujeito perde seu primeiro objeto de amor que \u00e9 o seio materno, que foi produto de satisfa\u00e7\u00e3o e prazer durante seu desenvolvimento, est\u00e1 estabelecido a falta. Para Massota (1975), a sexualidade se estrutura atrav\u00e9s da falta, o que vai fundamentar as rela\u00e7\u00f5es na vida adulta. O sujeito vai descobrir essa falta atrav\u00e9s da pratica psicanal\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O ser humano aprende a amar um outro por que h\u00e1 uma depend\u00eancia desse outro para viver e evitar o sentimento de desamparo. Segundo Kuss (2015), \u201cA sensa\u00e7\u00e3o de desamparo vivida na inf\u00e2ncia \u00e9 uma depend\u00eancia designada como a angustia de perda do amor\u201d. (apud Miller 2010 .2). O sujeito tem uma depend\u00eancia do grande outro, que \u00e9 considerada necess\u00e1ria para uma satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor est\u00e1 relacionado ao narcisismo, pelo motivo de o sujeito ir em busca do amor do outro com um prop\u00f3sito de uma satisfa\u00e7\u00e3o. Nesse amor narc\u00edsico o sujeito ir\u00e1 direcionar a libido para o seu eu, numa forma de recriar o narcisismo infantil.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor dos pais com seus filhos \u00e9 o narcisismo deles mesmos. Quando um casal est\u00e1 na espera de um bebe, h\u00e1 uma idealiza\u00e7\u00e3o desse filho que est\u00e1 sendo esperado. Os pais passam a depositar todos os seus desejos que n\u00e3o foram supridos no filho, desejando que os filhos realizem seus desejos que n\u00e3o foram concebidos. Assim os filhos passam a ser o ideal para seus pais. Quando adulto esse filho ter\u00e1 o seu ideal constru\u00eddo atrav\u00e9s de influ\u00eancias externas, passando a ter seus pr\u00f3prios desejos, sendo assim, poss\u00edvel de ser amado por um outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Kuss (2015), \u201ch\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o na quantidade de amor que se recebe do amado ao aumento e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da autoestima, na vida amorosa a percep\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar sendo amado reduz o autoconceito, ao passo que estar sendo amado o eleva\u201d (apud FREUD 1914 p. 115). Observa-se quanto mais o amante investe libido no amado, mais dependente o amado se torna dele, pelo motivo de gerar uma baixa autoestima no amante. Quem investe libido em seu objeto sacrifica o seu narcisismo para reconstruir e sendo amado. Entende-se que \u00e9 preciso ser amado pelo objeto que se investe a libido para que se possa estar bem.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor \u00e9 desde uma paix\u00e3o ao o desejo de construir e se unir ao outro. Refere-se o amor a falta que se constitui do sujeito, mas ele n\u00e3o tem o poder de eliminar essa falta, por motivos de que a viv\u00eancia em meio a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um sofrimento constante em meio a tantas exig\u00eancias que s\u00e3o impostas. Segundo Freud (1929\/1930), o mundo externo e as rela\u00e7\u00f5es humanas em meio a ele, s\u00e3o consequ\u00eancias de uma infelicidade que acompanha o sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Procuramos o objeto amado de forma inconsciente. O homem ir\u00e1 buscar na sua mulher amada a imagem mn\u00eamica da m\u00e3e, qual foi a imagem que ele vivenciou da mulher hostil e perfeita durante a sua inf\u00e2ncia. Por esse motivo que os pais devem investir numa boa rela\u00e7\u00e3o com seus filhos, porque ser\u00e1 essa rela\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 procurar ter em sua fase adulta. Observa-se na quest\u00e3o do viol\u00eancia dom\u00e9stica, se uma crian\u00e7a vive num ambiente conturbado de viol\u00eancia, em sua fase adulta achar\u00e1 normal agredir a esposa.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor estar estruturado na fantasia \u00e9 um encontro e reencontro com o objeto perdido. Pode considerar um encontro com aquele pai ou aquela m\u00e3e que ficou inscrito na inf\u00e2ncia do sujeito. Amor n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o sexual, de modo algum o amor \u00e9 sexo. A rela\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 um disfarce do amor, para Kuss (2015), \u201cn\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual o amor \u00e9 o disfarce dessa n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 muito mais interessante, no amor o sujeito procura abordar o ser do outro\u201d. (apud BADIOU E TRUONG 2009\/2003 p.18).<\/p>\n\n\n\n<p>Conclua-se que o amor \u00e9 mais que uma rela\u00e7\u00e3o de ganhos narc\u00edsico, est\u00e1 al\u00e9m da repeti\u00e7\u00e3o, indo numa dire\u00e7\u00e3o de algo novo. O amor \u00e9 uma solicita\u00e7\u00e3o que o sujeito saia do seu pr\u00f3prio gozo, \u00e9 uma substitui\u00e7\u00e3o do objeto perdido. Ele \u00e9 uma demanda que surge como tentativa de express\u00e3o do desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>REFERENCIAS:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Freud S. (1905). Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: imago.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Freud S. (1906\/1907). Del\u00edrios e sonhos na gradiva de Jensen v.9. Rio de janeiro: imago.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Freud S. (1914\/1996). Sobre o narcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o. Rio de janeiro: imago.<\/p>\n\n\n\n<p>FREUD, Sigmund (1939). O Mal-Estar Na Civiliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: PenguinClassics Companhia das letras, 2011. 21 v.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Massota, Oscar, 1930-1979. \u201cO comprovante da falta\u201d: li\u00e7\u00f5es de introdu\u00e7\u00e3o a psicanalise\/ Oscar Massota; [tradu\u00e7\u00e3o de Maria Aparecida Baldinu Cintra]. \u2013 Campinas, SP: Papirus, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>KUSS, Ana Suy (2015). Amor, desejo e psicanalise. Curitiba. Juru\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em psican\u00e1lise, o amor cont\u00e9m um conceito diferente da paix\u00e3o e do estar namorando, o amor est\u00e1 fortemente ligado a libido e o desejo. Segundo Freud (1906\/1907), o processo de cura psicanal\u00edtica \u00e9 realizado atrav\u00e9s do amor, pelo motivo de ele conter todos os componentes do instinto sexual. 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