{"id":200,"date":"2020-06-09T19:00:31","date_gmt":"2020-06-09T22:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/?p=200"},"modified":"2020-06-09T19:11:39","modified_gmt":"2020-06-09T22:11:39","slug":"o-racismo-como-sintoma-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/2020\/06\/09\/o-racismo-como-sintoma-social\/","title":{"rendered":"O racismo como sintoma social"},"content":{"rendered":"\n<p>O racismo \u00e9 considerado uma mera agressividade social, \u00e9 o \u00f3dio do outro, uma f\u00faria n\u00e3o ocasionado por algo ruim que o outro tenha feito, mas pelo simples fato da exist\u00eancia, e da transpar\u00eancia das diferen\u00e7as. O racismo nasce atrav\u00e9s do discurso igualit\u00e1rio da ci\u00eancia, pelo, o fato de querer incentivar uma igualdade em meio a popula\u00e7\u00e3o. O estrangeiro quando faz a sua entrada no territ\u00f3rio que n\u00e3o \u00e9 seu de origem, ele traz consigo toda a sua bagagem cultural que aos olhos daquela sociedade \u00e9 algo diferente gerando um sintoma social de \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>O ser humano se sente bem com o seu semelhante, para koltai (2008), a fundamenta\u00e7\u00e3o do amor \u00e9 narc\u00edsica, ama-se os iguais e os diferentes passam a ser exclu\u00eddos, para depositar a agressividade contra eles, a rea\u00e7\u00e3o de defesa da v\u00edtima em perigo \u00e9 produto de satisfa\u00e7\u00e3o e prazer no agressor. O racismo \u00e9 considerado um sintoma social e o tolitarismo moderno mostra aonde vai o ser humano quando se depara com as diferen\u00e7as,  a ponto de negar o fato de que o outro tamb\u00e9m \u00e9 um ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>O sintoma \u00e9 o que impede o sujeito de seguir as exig\u00eancias da civiliza\u00e7\u00e3o e questionar os discursos que s\u00e3o impostos. Observa-se que o sintoma prescreve uma iguala\u00e7\u00e3o na vida cotidiana, atingindo as formas de desejar e gozar.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia permanece o seu discurso insistente de igualar o sujeito, para fazer o sujeito&nbsp;se sentir bem, mesmo se ele n\u00e3o queira seguir esse padr\u00e3o social. Quanto mais houver exig\u00eancias de iguala\u00e7\u00e3o da sociedade, mais haver\u00e1 discursos de oposi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m do mais o discurso (cientifico) se mant\u00eam na uniformiza\u00e7\u00e3o, mais haver\u00e1 opositores, e a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do gozo, \u00e9 aquilo que transforma o outro em algu\u00e9m que s\u00f3 resta odiar, pelo motivo de ser diferente que \u00e9 idealizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a globaliza\u00e7\u00e3o das economias, o movimento imigrat\u00f3rio est\u00e1 constante, o estrangeiro passa a morar para al\u00e9m da fronteira. Ao se tornar vizinho dos nativos ocorre uma aproxima\u00e7\u00e3o, tornando-se insuport\u00e1vel para os nativos pelo fato que o estrangeiro ser\u00e1 um ladr\u00e3o de gozo, que por gozar de mais, passar\u00e1 a fazer o outro gozar de menos. Segundo Philippe Julien (1995), o \u00f3dio nasce a partir de um saber do gozo do outro, no momento que o sujeito ver um gozo no outro que provoca um sentimento de \u00f3dio e priva\u00e7\u00e3o, converte-se a odiar. Pode associar essa quest\u00e3o ao Nazismo, surgiu em 1920 por Adolf Hitler, os&nbsp;principais objetivos do partido&nbsp;eram o de uni\u00e3o dos alem\u00e3es gerando uma igualdade na popula\u00e7\u00e3o, e a expuls\u00e3o de estrangeiros um dos motivos \u00e9 de acreditarem que a popula\u00e7\u00e3o judia estava roubando os empregos dos alem\u00e3es, e os judeus eram vistos como manipuladores de finan\u00e7as do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em momentos de crises globais, h\u00e1 um agravamento de casos de racismo. Os pa\u00edses asseguram as suas fronteiras, tornando um controle maior sobre a imigra\u00e7\u00e3o clandestina, pelo motivo dos estrangeiros gerarem sentimento de medo. Quando um estrangeiro se torna vizinho, ele imp\u00f5e sua religi\u00e3o e cultura. A fascina\u00e7\u00e3o pelo modo de viver do estrangeiro gera um turbilh\u00e3o de sentimento de atra\u00e7\u00e3o, medo e fasc\u00ednio no racista gerando uma oscila\u00e7\u00e3o entre amor e \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclua-se que a psican\u00e1lise mostra que n\u00e3o tem como impor a igualdade a outro, e quanto mais houver exig\u00eancias de um padr\u00e3o social, tem como retorno um sintoma social&nbsp;que \u00e9 o racismo, que vem marcado por uma oscila\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio. A diferen\u00e7a singular do sujeito serve de pretexto para agressividade que atinge tudo aquilo que \u00e9 diferente. Essa considera\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica pode-se associar a outros modos de pr\u00e9-conceito que tamb\u00e9m geram manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio e que s\u00e3o tamb\u00e9m ocasionados pelo padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REFERENCIAS:<\/p>\n\n\n\n<p>Julien, P. (1995). L\u00b4\u00e9trange jouissance du prochain . Paris: Seuil.<\/p>\n\n\n\n<p>Koltai catarina (2008). Racismo uma quest\u00e3o cada v\u00eas mais delicada. psican\u00e1lise e cultura, S\u00e3o Paulo, 2008, 31(47<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O racismo \u00e9 considerado uma mera agressividade social, \u00e9 o \u00f3dio do outro, uma f\u00faria n\u00e3o ocasionado por algo ruim que o outro tenha feito, mas pelo simples fato da exist\u00eancia, e da transpar\u00eancia das diferen\u00e7as. 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