{"id":229,"date":"2020-09-01T19:50:02","date_gmt":"2020-09-01T22:50:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/?p=229"},"modified":"2020-09-01T19:50:03","modified_gmt":"2020-09-01T22:50:03","slug":"suicidio-uma-revisao-psicanalitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/2020\/09\/01\/suicidio-uma-revisao-psicanalitica\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio: uma revis\u00e3o psicanal\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>O n\u00famero de pessoas que realizam o ato suicida teve um aumento de 60% nos \u00faltimos 45 anos, o sujeito que utiliza desse ato apresenta um sofrimento. (BOTEGA, WERLANG, CAIS, MACEDO 2006). Segundo Freitas (2015), o suic\u00eddio \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o humana utilizada quando a vida se torna insuport\u00e1vel, o ser falante \u00e9 o \u00fanico ser vivo que utiliza da morte como uma escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Carvalho (2014), o sujeito suporta a vida por motivos de existir a morte como uma possibilidade de tornar a vida poss\u00edvel. A vida \u00e9 real e o morrer \u00e9 algo simb\u00f3lico, se a vida se torna imposs\u00edvel de suport\u00e1-la, o suic\u00eddio \u00e9 uma escolha do sujeito que dar um significado a vida que est\u00e1 imposs\u00edvel de ser suportada. Segundo Freitas (2015), atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o do traum\u00e1tico que ocasionam um encontro com o real, impossibilidade e uma ang\u00fastia no sofredor que o leva a uma escolha da morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo carvalho (2014), a puls\u00e3o de morte est\u00e1 contida na cadeia dos significantes, h\u00e1 um gozo na escolha do sujeito de repetir o trauma, demonstrando seu aprisionamento na cadeia dos significantes. Temos como exemplo um sujeito que sofreu a vida inteira com os l\u00e1bios leporinos, passando por v\u00e1rios procedimentos cir\u00fargicos para modificar. Uma crian\u00e7a que sofreu a vida inteira com os abusos da cirurgia, quando se coloca em situa\u00e7\u00f5es que lembram o trauma acaba repetindo as viol\u00eancias sofridas frequentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundas Freitas (2015), o suicida apresenta a tique que \u00e9 uma forma de repetir sempre a mesma falha, apresentando um gozo por aquele ato de repetir. Pode-se ter uma tentativa de impor um limite na repeti\u00e7\u00e3o como um ato de castra\u00e7\u00e3o. A castra\u00e7\u00e3o ocasiona uma ang\u00fastia e o sofredor estar imerso numa ang\u00fastia avassaladora. Segundo a mesma autora h\u00e1 angustia \u00e9 sempre uma ang\u00fastia de castra\u00e7\u00e3o. A morte \u00e9 uma tentativa de eliminar a ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo carvalho (2014), o suicida neur\u00f3tico cria uma cena e participa dela, aonde ele \u00e9 o autor e a finalidade \u00e9 alcan\u00e7ar o amor do outro utilizando do suic\u00eddio, correndo o risco de sair de cena e n\u00e3o voltar mais. O neur\u00f3tico diante da falta do outro responde com a fantasia, onde ele se relaciona com o objeto de desejo, que tamb\u00e9m \u00e9 objeto para sempre perdido e o objeto de gozar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasio (2019), a fantasia \u00e9 uma cena de uma situa\u00e7\u00e3o conflituosa, aonde o sujeito n\u00e3o consegue visualizar todos os detalhes, percebe apenas os gestos que configuram a a\u00e7\u00e3o. A fantasia estar recalcada no inconsciente, \u00e9 o desejo perverso incontrol\u00e1vel de devorar o outro, o ser amado. \u00c9 uma forma de tapar o buraco deixado pelo amado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Freitas (2015), os seres falantes se dividem em dois g\u00eaneros masculino e feminino, mas n\u00e3o partindo da anatomia, mas da modalidade de gozo. No masculino o gozo parte totalmente da norma f\u00e1lica o feminino n\u00e3o. O homem ele goza com o seu objeto da fantasia que pode ser o corpo da mulher. O feminino ele goza de duas formas, com o seu objeto de desejo o sexo masculino que \u00e9 uma forma f\u00e1lica, ou goza com a falta do outro um gozo que estar fora do significante.<\/p>\n\n\n\n<p>Na neurose obsessiva, ele se encontra no lado da fantasia, seu objeto de gozo \u00e9 o outro o masculino. Quando o sujeito perde esse objeto que sustenta seu desejo e gozo, ocasiona um abalo na fantasia, apresentando a cruelmente a falta. Sem a fantasia o obsessivo ele \u00e9 tomado por puro gozo, deparando com a falta do outro a sua falta de objeto de desejo, assim deseja morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Na histeria a perda do amor que \u00e9 o objeto homem, leva a hist\u00e9rica ao desejo suicida. Ela tem o homem como seu objeto de desejo que ira completar a falta do objeto perdido na inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Freitas (2015), psic\u00f3tico ele se ver no gozo do outro, quando ele escolher o suic\u00eddio \u00e9 uma tentativa de livrar-se desse objeto de desejo que ele \u00e9 para outro. Quando se suicida \u00e9 uma tentativa de sair dessa condi\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel de objeto de gozo para o outro, aonde ele \u00e9 mandado. O psic\u00f3tico ele tem o nome do pai inscrito na sua estrutura ps\u00edquica, onde o pai \u00e9 esse grande outro que sempre d\u00e1 as ordens.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclua-se que a perda do objeto amado faz com que o melanc\u00f3lico se depara com um buraco no eu, onde perdeu o seu objeto de amor, desejo e gozo, ocasionando uma falha no imagin\u00e1rio. Apresentando a condi\u00e7\u00e3o de objeto de gozo, o gozo mort\u00edfero levando a um suic\u00eddio. Quaisquer tipos de suic\u00eddios cl\u00ednicos, diante da perda do objeto de gozo que \u00e9 o grande outro, o sofredor ter\u00e1 que lidar com essa falta. Nesses momentos a fantasia encontra-se abalada. O faltoso objeto faz com que o melanc\u00f3lico se depara com um buraco no eu, por motivos de que ele perdeu o seu amor, que atuava como uma tampa no buraco da falha imagin\u00e1ria. Orienta-se um acompanhamento psicoter\u00e1pico, onde deixamos o sujeito apresentar o seu discurso de afetos, numa tentativa de driblar a sua falta. Em casos mais graves orienta-se tamb\u00e9m o tratamento multidisciplinar (psic\u00f3logo e psiquiatra).<\/p>\n\n\n\n<p>REFERENCIAS:<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, S. A MORTE PODE ESPERAR. CLINICA PSICANALITICA DO SUICIDIO. Salvador. Associa\u00e7\u00e3o campo psicanal\u00edtico, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Geisa Freitas. Stylo revista de psicanalise, rio de janeiro 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasio Juan David, 1942. Sim a psicanalise cura. Rio de Janeiro, Zahar 2019<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Betega n. Werlang b. cais .c Macedo m. preven\u00e7\u00e3o do comportamento suicida. Tem\u00e1tica da psicologia clinica. Rio grande do sul. 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de pessoas que realizam o ato suicida teve um aumento de 60% nos \u00faltimos 45 anos, o sujeito que utiliza desse ato apresenta um sofrimento. (BOTEGA, WERLANG, CAIS, MACEDO 2006). 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