{"id":243,"date":"2021-05-20T22:38:48","date_gmt":"2021-05-21T01:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/?p=243"},"modified":"2021-06-03T20:31:33","modified_gmt":"2021-06-03T23:31:33","slug":"diferenca-entre-depressao-e-melancolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.psicologahellen.com.br\/blog\/2021\/05\/20\/diferenca-entre-depressao-e-melancolia\/","title":{"rendered":"Diferen\u00e7a entre Depress\u00e3o e Melancolia"},"content":{"rendered":"\n<p>Atualmente observa-se em meio a sociedade uma pandemia de depress\u00e3o um aumento significativo no diagn\u00f3stico, isso vem em decorr\u00eancia do mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o. O estar depressivo \u00e9 consequ\u00eancia do sofrimento ps\u00edquico do sujeito, se caracterizando com sintomas de apatia, tristeza, sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e desesperan\u00e7a. Tudo ao externo do depressivo passa despercebido deixando de realizar atividades rotineiras&nbsp; como se alimentar ou dormir corretamente, ocasionando preju\u00edzos no sistema digestivo e o corpo apresentando estar pesado, com sensa\u00e7\u00e3o de estar carregando uma tonelada de concreto. Segundo Freud (1918) a depress\u00e3o \u00e9 representada por uma figura do corpo angustiado e dolorido resultado de uma perda do objeto amado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Moreira (2002), a palavra depress\u00e3o est\u00e1 sendo substitu\u00edda pela palavra melancolia, percebendo que alguns autores defendem a distin\u00e7\u00e3o das duas palavras, sendo que h\u00e1 diferen\u00e7as entre depress\u00e3o e melancolia. Observa-se nos usos de antidepressivos a efici\u00eancia para o tratamento de transtorno de depress\u00e3o, mas h\u00e1 uma inefici\u00eancia com o tratamento de melanc\u00f3licos, por motivos de os antidepressivos n\u00e3o serem anti-melanc\u00f3licos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 a melancolia? Em seus estudos Freud focou na melancolia, afirmando que o afeto correspondente da melancolia \u00e9 o luto. O melanc\u00f3lico apresenta um grande desejo em recuperar seu objeto perdido, se tratando de uma perda pulsional, perda da libido. Pode &#8211; se relacionar a melancolia com o luto por serem semelhantes. Os dois foram desencadeados por fatos ocorridos na vida. O enlutado, sofre por querer seu objeto amado de volta. Na melancolia observamos esse mesmo sofrimento, s\u00f3 que no luto se espera que o sujeito desloque o seu investimento de libido que est\u00e1 sendo investido no objeto perdido para um outro. Na melancolia h\u00e1 uma dificuldade em fazer esse deslocamento, como se o sujeito negasse o seu exterior e agarrasse no seu objeto perdido como uma psicose alucinat\u00f3ria de desejo, apresentando uma dificuldade para simbolizar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lambotte (2007), diferente da depress\u00e3o, a melancolia \u00e9 uma patologia narc\u00edsica. O narcisismo \u00e9 um est\u00e1gio normal que o sujeito passa durante seu desenvolvimento, a pessoas que apresentam dificuldades para passar essa fase e acabam ocasionando uma fixa\u00e7\u00e3o no narcisismo, podendo ocasionar uma enfermidade. No caso da melancolia pode haver uma fixa\u00e7\u00e3o no narcisismo infantil, decorrente de algum rompimento do la\u00e7o afetivo. O objeto do melanc\u00f3lico foi escolhido baseado na regress\u00e3o do narcisismo primitivo, apresentando puni\u00e7\u00f5es contra seu corpo e associado a sentimentos de culpa. Nesses casos, se exige do analista um manejo cl\u00ednico, focado nas auto agress\u00f5es do paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A depress\u00e3o e a melancolia s\u00e3o ocasionadas por perdas de objetos, mas h\u00e1 um diferencial \u00e9 que a depress\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 falha no narcisismo. O melanc\u00f3lico n\u00e3o perdeu o seu objeto, ele se perdeu no objeto. Enquanto o depressivo queixa do que perdeu, trazendo em seu discurso o que ele foi um dia, apresentando uma perda de si mesmo e de um tempo que n\u00e3o volta mais, um vazio reproduzido por uma idealiza\u00e7\u00e3o da cultura do narcisismo, que \u00e9 uma cultura que gera grande exig\u00eancias no eu, consumo e apar\u00eancia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo kehl (2009), o sentimento de desesperan\u00e7a do melanc\u00f3lico est\u00e1 associado ao outro (m\u00e3e), que n\u00e3o o colocou em lugar de desejo quando rec\u00e9m nascido, se apresentando como algu\u00e9m que est\u00e1 preso num tempo onde o outro nunca vem ao seu encontro. Diferente do melanc\u00f3lico! o depressivo utiliza o tempo morto como forma de ref\u00fagio das exig\u00eancias do grande outro que se apresenta em excesso e nunca falta. Muitos desses sujeitos faziam usos abusivos de objetos como drogas, com objetivo de fugir dessas exig\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conclui &#8211; se que a diferen\u00e7a entre melancolia e depress\u00e3o. Na melancolia encontramos os elementos culpa e conflito, enquanto na depress\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 esses elementos, e o conflito se d\u00e1 entre o ego e o ideal de ego, que em consequ\u00eancias observa o sofrimento do depressivo em n\u00e3o conseguir conquistar as exig\u00eancias sociais. Enquanto o melanc\u00f3lico fica preso numa mesa de jantar na espera infinita do grande outro, negando a eterna falta. Tanto um como o outro s\u00e3o sofrimentos origin\u00e1rios de perdas, a melancolia est\u00e1 associada a uma perda inconsciente apresentando uma impossibilidade em se elaborar o luto. Orientasse os analistas a uma compreens\u00e3o singular do que o sujeito viveu em sua perda e sua significa\u00e7\u00e3o subjetiva. Assim possibilitamos uma viv\u00eancia da perda e uma elabora\u00e7\u00e3o desse luto, mas isso exige um trabalho cuidadoso. Enquanto na depress\u00e3o h\u00e1 uma possibilidade de simboliza\u00e7\u00e3o e um manejo cl\u00ednico de deslocamento de objetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d (1938). ESB, vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1969.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreira, A. C. G. (2002). Cl\u00ednica da melancolia. S\u00e3o Paulo: Escuta\/ Edufpa.<\/p>\n\n\n\n<p>lambotte, M.-C. (2007). La m\u00e9lancolie. \u00c9tudes cliniques. Paris: Economica Anthropos<\/p>\n\n\n\n<p>kehl, M. R. (2009). O tempo e o c\u00e3o: a atualidade das depress\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente observa-se em meio a sociedade uma pandemia de depress\u00e3o um aumento significativo no diagn\u00f3stico, isso vem em decorr\u00eancia do mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o. 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